Os boatos eletrônicos raramente trazem benefícios àqueles que os recebem ou enviam. A menos que sejam spammers ou golpistas de modo geral. O usuário comum é prejudicado não só pelo ônus que a própria mensagem possa causar, mas também com o comprometimento de sua privacidade ou problemas no trabalho.
Alguns usuários já tiveram muita dor-de-cabeça por enviar mensagens com assinaturas automáticas, que incluem normalmente informações de contato, como telefone e endereço de e-mail, a amigos, que acabaram encaminhando a outros, que repassaram a terceiros e por aí afora. O remetente "original", que também estava "apenas repassando" o texto, teve seus dados distribuídos para inúmeras pessoas que, depois disso passaram a o contatar constantemente por causa do assunto da mensagem.
Um caso famoso é o de um doutor em microbiologia que trabalhava na Universidade Federal do Norte Fluminense. O engenheiro agrônomo "apenas enviou" a amigos uma mensagem que recebeu tratando sobre possível contaminação de latas de cerveja ou refrigerante por urina de ratos, o que poderia causar doenças sérias nas pessoas, como a leptospirose. Acontece que a mensagem seguiu com sua assinatura profissional, que incluía o título de doutor, fato que certamente contribuiu na disseminação do "hoax".
Cerca de três anos depois de ter enviado a mensagem, o engenheiro agrônomo ainda era contatado por pessoas de todo o mundo que tentavam esclarecer os fatos. Ele já viu o texto com sua assinatura traduzido para o espanhol e o inglês e já recebeu mais de 2 mil e-mails e 800 ligações sobre o assunto. O pesquisador conta que, por esse motivo, praticamente não conseguia mais trabalhar e estava ficando estressado.
A universidade em que ele trabalha teve de montar uma equipe para ajudar a lidar com o problema, respondendo as pessoas que o procuravam. Mas nem todos têm empregadores tão solidários e já houve casos de sanções a funcionários que repassaram mensagens com dados de contato profissionais. Por último, o engenheiro agrônomo ainda foi ameaçado de processo por uma associação de fabricantes de latas de alumínio e por fabricantes de refrigerantes, que alegavam ter tido prejuízos devido à queda da ordem de 10% nas vendas.
Mesmo jornalistas, profissionais com o dever de duvidar e conferir fontes de informação diariamente, caem nessas histórias. Um caso clássico, muito antes ainda da explosão da Internet, é o do "boimate". Em 27 de abril de 1983, a revista Veja publicou uma reportagem tratando de uma suposta fusão de células vegetais e animais realizada por cientistas alemães. O texto, baseado em notícia da conceituada New Scientist, falava da possibilidade de, no futuro, colher não um tomate, mas um filé ao molho de tomate. A revista só se esqueceu da tradição das publicações inglesas de "pregar peças" oficiais em suas edições do dia 1º de abril. Enganos como esses ainda ocorrem, e só foram aumentados com a Internet.
Spammers também se aproveitam dessa tendência dos usuários da Internet de colaborar com os "beneficiários" dos "hoaxes". Eles tentam convencê-lo a enviar a mensagem não só para todos de sua lista, mas também para um determinado endereço de e-mail que permitiria a uma empresa conferir quantas mensagens teriam sido enviadas. Com base nessa informação, a empresa supostamente faria doações a pessoas carentes ou fundos de pesquisa ou daria prêmios aos envolvidos que atingissem as condições.
Mas, na verdade, esse tipo de mensagem está atrás apenas dos endereços de e-mail seus e de seus amigos. A maioria das pessoas encaminha as mensagens colocando os endereços dos destinatários nos campos Cópia-Carbono (CC) ou Para (To). Isso permite que todos os destinatários tenham acesso a todos os outros destinatários da mensagem.
É simples evitar esse problema: basta incluir os endereços dos destinatários (de mensagens legítimas, não de spam ou "hoaxes") no campo Cópia-Carbono Oculta (CCO/BCC). Cada destinatário continua recebendo sua mensagem normalmente, mas não sabe para quais outros endereços ela foi enviada. Mas observe que ainda é possível saber que ela foi enviada para outros.
Em suma: evite passar adiante uma informação que você mesmo não possa conferir, para sua própria segurança, por mais tocante ou útil que possa ser o objetivo.