Se você concorda que nunca leu um termo de privacidade na íntegra, suas informações podem estar em risco. Esse documento, que é muitas vezes tratado com descaso, apresenta os direitos e condições de navegação que interferem diretamente na privacidade dos usuários.
Práticas como a coleta de hábitos de navegação dos usuários estão explícitas nesses termos, geralmente não lidos. Quem comenta é Lygia de Luca, repórter do IDG NOW!. A empresa analisou os termos de privacidade dos seguintes serviços: Gmail, busca do Google, Yahoo! Mail, MSN, Facebook, MySpace e YouTube. Todos envolvem o uso de cookies – pequenos arquivos deixados por sites em seu computador para manter informações sobre suas preferências de navegação.
De acordo com o advogado Renato Opice Blum, os cookies são “comercialmente bem aceitos”. Seu uso permite ao site entender e mapear as preferências de um usuário para oferecer conteúdo personalizado, de acordo com seu perfil de navegação. O problema é que muitos sites captam essas informações sem um acordo prévio. Segundo Opice Blum, o link para o termo de uso deve estar ao alcance do consumidor. As empresas mais transparentes incluem o link na página inicial do site e é dever do internauta ler o termo e aceitar ou não suas condições.
Ler atentamente os termos apresentados pelos sites não é a coisa mais agradável para se fazer na internet, mas a principal motivação consiste em saber o que será feito com os dados de quem adere aos serviços. A leitura permite que você entenda e questione as coisas inesperadas que podem ocorrer no seu computador. “Um usuário do Kazaa Light, por exemplo, autoriza a instalação de add-ons no navegador e, muitas vezes, nem sabe, pois não leu. Os termos são um Ato Jurídico Perfeito, que institui deveres, direitos e obrigações”, explica Opice Blum.
Embora a legislação brasileira garanta a proteção à privacidade, ela não distingue o que é uma informação sensível ou não, comenta Opice Blum. Como exemplo, ele cita que os dados de autenticação do usuário na rede - como o navegador usado, endereço IP, data e hora de acesso - são armazenados pelas empresas e a maior parte das pessoas sabe disso. Esse procedimento não expõe o usuário e, se alguém comete um crime através da rede, a empresa precisa oferecer estes dados à justiça, explica o especialista.
Portanto, se o site usa cookies e outros mecanismos para aprimorar sua experiência de navegação ou para captar e fornecer seus dados para parceiros comerciais, se está escrito e você aceitou, é absolutamente legal, tendo você lido ou não o termo com o qual concordou. “É uma troca. Eu te dou um serviço sem custo e posso fazer algo com seus dados”, explica Opice Blum.
Se você faz parte do grupo de pessoas que nunca leu um desses termos, acesse seus serviços web e descubra o que as empresas podem fazer com suas informações.
Fonte: IDG Now! - http://idgnow.uol.com.br